Tarjamento de Documentos: O Guia Completo para LGPD, LAI e Proteção de Dados

Modificado em Seg, 4 Mai na (o) 2:43 PM

Tarjamento é o processo de ocultar informações pessoais ou sensíveis em documentos antes de torná-los públicos, garantindo o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) sem comprometer a transparência exigida pela Lei de Acesso à Informação (LAI). Em vez do tradicional risco do "tarja preta no Word" — que pode ser facilmente revertido — o tarjamento moderno remove permanentemente os dados da camada de texto do documento, tornando a recuperação impossível.

Este guia foi escrito para gestores públicos, encarregados de proteção de dados (DPOs), advogados, servidores de ouvidorias e qualquer profissional que precise compartilhar documentos sem expor CPFs, endereços, dados bancários ou outras informações sigilosas. Ao final, você vai entender exatamente o que é tarjamento, quando ele é obrigatório, quais ferramentas existem no mercado brasileiro e como escolher a solução certa para a sua organização.

O que é tarjamento?

Tarjamento é a técnica de anonimização que aplica tarjas — geralmente retângulos pretos — sobre trechos de um documento que contêm dados pessoais, sigilosos ou protegidos por lei. O objetivo é permitir a divulgação pública do documento sem revelar informações que devam permanecer protegidas.

O termo é amplamente utilizado em órgãos públicos brasileiros como sinônimo de "redação" (do inglês redaction) ou "hachuramento". Na prática administrativa, o tarjamento atua como ponte entre dois princípios constitucionais que aparentam estar em conflito: o direito do cidadão de acessar informações públicas e o direito individual à privacidade dos dados pessoais.

É importante distinguir o tarjamento visual do tarjamento definitivo. Apenas pintar um retângulo preto sobre o texto em editores comuns é insuficiente: o conteúdo continua presente na camada digital do arquivo e pode ser recuperado com qualquer leitor de PDF. O tarjamento definitivo, executado por ferramentas especializadas, remove o texto da camada digital e o substitui pela tarja, impossibilitando qualquer tipo de recuperação.

Por que o tarjamento se tornou obrigatório no Brasil

A obrigatoriedade do tarjamento no Brasil nasce da combinação de três marcos legais que, juntos, exigem que organizações públicas e privadas anonimizem dados antes de qualquer divulgação documental.

A Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) estabelece, em seu artigo 5º, inciso III, e artigo 13, parágrafo 4º, que dados pessoais devem ser anonimizados sempre que possível. A Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) determina que documentos públicos sejam disponibilizados ao cidadão. Já a Instrução Normativa CGU nº 96/2023 e a Orientação SFC nº 3/2023 formalizam que órgãos públicos devem utilizar, preferencialmente, soluções tecnológicas de anonimização automatizada para compatibilizar essas duas obrigações.

O resultado prático é que servidores e gestores que disponibilizam documentos sem o devido tarjamento podem expor a organização a sanções administrativas previstas na LGPD, que chegam a 2% do faturamento anual ou R$ 50 milhões por infração, além da responsabilização pessoal de quem operou o vazamento.

Quais dados precisam ser tarjados

Nem toda informação em um documento público precisa ser ocultada. A regra geral é tarjar dados que permitam identificar uma pessoa natural, direta ou indiretamente, e que não tenham finalidade pública evidente. Os tipos de dados mais comumente tarjados em documentos administrativos brasileiros são CPF, RG e demais documentos de identificação, endereço residencial completo, telefones e e-mails pessoais, dados bancários (conta, agência, chaves PIX), assinaturas manuscritas digitalizadas, dados de saúde, religião, orientação sexual e demais categorias sensíveis previstas no artigo 5º da LGPD, além de informações de menores de idade.

Por outro lado, dados de agentes públicos no exercício da função (nome do servidor, cargo, matrícula funcional, atos praticados) são, em regra, públicos e não devem ser tarjados, conforme entendimento consolidado pela CGU. A confusão entre esses dois grupos é uma das maiores causas de tarjamento indevido — e de pedidos de acesso à informação injustamente negados.

Como funciona o tarjamento na prática

O fluxo moderno de tarjamento é composto por quatro etapas, independentemente da ferramenta utilizada.

A primeira etapa é a identificação dos dados sensíveis no documento. Em soluções manuais, isso significa um servidor lendo página por página e marcando manualmente cada trecho a ocultar. Em soluções automatizadas com inteligência artificial, algoritmos de NLP (processamento de linguagem natural) e OCR (reconhecimento óptico de caracteres) varrem o documento e identificam padrões como CPFs, e-mails, endereços e nomes próprios em segundos.

A segunda etapa é a revisão humana das marcações sugeridas. Mesmo com IA, a revisão é essencial: a ferramenta pode marcar dados que não deveriam ser ocultados ou deixar passar informações que precisam ser protegidas. Esta etapa é especialmente crítica em documentos onde o contexto define se uma informação é pública ou privada.

A terceira etapa é a aplicação definitiva da tarja, que remove o texto da camada digital do PDF e o substitui pelo retângulo preto. Após esta etapa, a recuperação dos dados originais se torna tecnicamente impossível.

A quarta etapa é o registro de auditoria, que documenta quem fez o tarjamento, quando, em qual documento e quais dados foram ocultados — informação fundamental para comprovar conformidade em eventuais fiscalizações.

Tarjamento manual vs. tarjamento automatizado

A diferença entre os dois métodos não é apenas de velocidade — é de segurança. O tarjamento manual depende inteiramente da atenção humana, e estima-se que erros humanos sejam responsáveis por aproximadamente 90% dos vazamentos de dados em organizações. Em um documento de 5.000 páginas, é praticamente impossível garantir que nenhum CPF foi esquecido em uma revisão manual.

O tarjamento automatizado, por outro lado, aplica padrões consistentes em todo o documento, processa milhares de páginas em minutos e reduz drasticamente o risco de exposição. Casos reais como o do Ministério Público de Santa Catarina — que adotou a solução MavenDoc e registrou redução de até 90% no tempo de processamento documental — mostram o tamanho do ganho operacional possível.

Apesar dessas vantagens, o tarjamento automatizado nunca dispensa a revisão humana final. A combinação ideal é IA fazendo o trabalho pesado de identificação e o profissional revisando rapidamente o resultado antes da aplicação definitiva.

Principais ferramentas de tarjamento disponíveis no Brasil

O mercado brasileiro oferece hoje diferentes opções de ferramentas de tarjamento, cada uma adequada a um perfil de uso específico.

O Fala.BR, plataforma da Controladoria-Geral da União desenvolvida em parceria com a Petrobras, oferece tarjamento gratuito para órgãos públicos federais, estaduais e municipais que aderiram ao sistema. É uma solução adequada para volumes baixos a moderados, com limitações conhecidas em documentos digitalizados e personalização restrita.

O Adobe Acrobat Pro e o PDF24 Creator são editores de PDF que oferecem funcionalidade de redação manual. São opções viáveis para volumes pequenos, mas exigem treinamento técnico, não escalam para grandes operações e dependem totalmente da precisão humana.

O MavenDoc, plataforma da Maven utilizada por TCU, Ministério Público de São Paulo, Superior Tribunal Militar, Ministério Público de Santa Catarina e outras instituições de referência, oferece tarjamento automatizado com inteligência artificial, OCR avançado para documentos digitalizados, revisão visual interativa, registro de auditoria completo e operação 100% em conformidade com a LGPD.

A escolha entre essas ferramentas depende de três variáveis principais: o volume de documentos processados mensalmente, a criticidade dos dados envolvidos e o nível de auditoria exigido pela organização.

Tarjamento e conformidade: o que sua organização precisa documentar

Mais do que aplicar a tarja, organizações que processam dados pessoais precisam ser capazes de comprovar que aplicaram. A conformidade com a LGPD exige documentação de quais dados foram identificados como pessoais ou sensíveis, qual base legal justificou o tratamento, qual processo de anonimização foi aplicado, quem executou o processo e quando, e como o documento original (não tarjado) está sendo armazenado e protegido.

Organizações maduras em proteção de dados mantêm dois arquivos para cada documento processado: a versão original com nível de acesso restrito ou sigiloso, conforme as hipóteses legais, e a versão tarjada com nível de acesso público. Esse modelo de duplo arquivamento é o que permite atender simultaneamente a LAI e a LGPD sem violação de nenhuma das duas normas.

Próximos passos para implementar tarjamento na sua organização

Se a sua organização ainda processa documentos sensíveis manualmente ou usa apenas tarja preta visual em editores comuns, o risco operacional é significativo. A boa notícia é que adotar uma solução moderna de tarjamento é mais simples e acessível do que parece.

A Maven é uma govtech brasileira com mais de 13 anos de atuação dedicada exclusivamente ao setor público, e o MavenDoc é a plataforma escolhida por algumas das mais importantes instituições de controle e justiça do país para operar tarjamento em escala. A ferramenta combina inteligência artificial, OCR avançado, fluxo de revisão visual e trilha de auditoria completa em uma única solução acessível pelo navegador.

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Perguntas frequentes sobre tarjamento

O que é tarjamento de documentos?

Tarjamento é o processo de ocultar permanentemente informações pessoais ou sensíveis em documentos públicos, geralmente em formato PDF, para garantir conformidade com a LGPD ao mesmo tempo em que se cumpre a Lei de Acesso à Informação.

Tarjamento e anonimização são a mesma coisa?

Tarjamento é uma das técnicas possíveis de anonimização, voltada especificamente para documentos. Anonimização é o conceito mais amplo, definido pela LGPD, que abrange qualquer técnica que impeça a identificação de uma pessoa natural a partir de um dado.

Pintar com retângulo preto no Word é tarjamento?

Não. Esse procedimento apenas oculta visualmente o texto, mas não o remove da camada digital do arquivo. Qualquer pessoa pode copiar o texto "escondido" e ler o conteúdo original. O tarjamento definitivo exige ferramentas que removem o dado da camada de texto do PDF.

O tarjamento é obrigatório por lei?

Sim, sempre que dados pessoais ou sensíveis estiverem presentes em documentos que serão divulgados publicamente. A obrigação decorre da combinação entre a LGPD (Lei 13.709/2018), a LAI (Lei 12.527/2011) e normativos como a IN CGU nº 96/2023.

É possível desfazer um tarjamento aplicado corretamente?

Não. Quando aplicado por ferramenta especializada que remove o texto da camada digital, o tarjamento é irreversível. Por isso é fundamental manter a versão original do documento arquivada com nível de acesso restrito.

Qual a melhor ferramenta de tarjamento para órgãos públicos?

Depende do volume e da criticidade. Para volumes baixos, ferramentas gratuitas como o Fala.BR podem atender. Para grandes volumes, dados altamente sensíveis ou exigência de auditoria robusta, plataformas profissionais como o MavenDoc oferecem maior segurança, escala e conformidade.

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